sexta-feira, 28 de maio de 2010

MAIS DE SEIS


Oi você,
Há quanto tempo não nós falamos?
Mais que um tempo talvez.
Silêncio que o telefone tá tocando,
Nem é você outra vez.
De tão entristecido você nem quer conversar,
E acertar de uma vez.
Diz que o problema é comigo,
Que não quero te escutar, diz que tenho timidez.
E você volta a caminhar, com um choro engasgado,
Até por não saber.
Como é que tudo vai terminar, se você for pro outro lado,
O que vai fazer?

Tchau prá você,
Sei que você tá pensando, em sair mais uma vez.
Eu até entendo. Tem outro alguém te chamado,
E já é mais de seis.
Mas eu penso aqui comigo, e se você não voltar,
Como vai ser?
Com o meu olhar eu te sigo até você se afastar,
Como outra e outra vez.
Eu respeito a sua vontade, o que você chama de liberdade,
Só por não me querer.
Saiba que eu te amo de verdade, mas responda com sinceridade,
E depois? Como vai ser? O que vai fazer?

ESPANTALHO


Pendurado pelos braços, corpo suspenso no ar,
O homem virou caricatura.
Para uns patético, para outros poético,
Tem quem se assusta, com a sua figura.

Meio caído de lado, o abandono no olhar,
Feito um boneco traspassado.
Que para uns protege, para outros um herege,
Que mesmo isolado, não tem pecado ou culpa.

A terra secou, o silêncio ficou,
Depois que um grito ecoou.
O céu se debateu, quando a vida morreu,
Pela alma que se corrompeu.

O espantalho pergunta, onde está a vitória da morte,
Que eu não vejo, que desconheço?
Do sol a lua, do sul ao norte,
Na hora que vem o aperto,
O choro e o medo.

Sou o que guarda, o que vigia,
Mesmo quando o anjo negro está ao derredor.
Sou sua casa, sua família,
Aquele que sabe do profundo segredo,
Quando você fica só.

Eu sou o que sou, eu sou amor,
Que se revela na dor.
Eu sou o princípio e o fim,
Aquele que sempre te quis,
Que espera ouvir o seu sim.